NEUROEDUCAÇÃO

Olá Pessoal. No último fim de semana eu participei de um evento chamado “I Jornada Científica Docente” cujo foco era tratar do papel da Neurociência na educação. Estava bem entusiasmado com o evento e sua temática, e minhas expectativas foram bem atendidas.

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O evento foi espetacular, com palestras sensacionais e muita, mas muita bibliografia interessante para consultar. Em função de tudo de muito novo que aprendi neste evento, resolvi escrever esta semana um pouco sobre a Neuroeducação e como esse campo de estudo, ainda recente no Brasil, tem se colocado cada vez mais como elemento fundamental na formação de todo educador.

É importante frisar que meu contato com o assunto ainda é bem inicial e, à medida que for aprendendo e me aprofundando sobre, escreverei mais detalhadamente. Mas neste post a ideia é apenas dar uma introdução sobre o tema para quem, como eu, não conhecia muito sobre o assunto até o momento.

Bom, antes de começar é importante salientar que Neuroeducação não é a mesma coisa que neuropedagogia. A neuropedagogia representa uma interseção entre a pedagogia e a neurociência para tentar compreender como o cérebro aprende e como ele guarda este aprendizado. Para ler um pouco mais sobre neuropedagogia sugiro este e este link.

O que ficou conhecido como Neuroeducação na verdade não é uma nova área do conhecimento, mas uma junção/interseção de três áreas: A Psicologia, a Pedagogia e a Neurociência.

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Assim sendo, a Neuroeducação se propõe a compreender o processo de aprendizagem, analisando o indivíduo em um contexto amplo onde se avalia a eficiência das metodologias e ferramentas de ensino no processo de aprendizagem, o contexto psicológico e comportamental do aluno e os efeitos que todo o processo tem no funcionamento do sistema nervoso. Vamos explorar um pouco cada uma dessas frentes.

Neurociência

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Estudando o funcionamento do sistema nervoso se busca entender fisiologicamente o processo de aprendizado para compreender quais e como fatores internos e externos podem afetar o registro de informação (aprendizagem). Por exemplo, existem estudos que buscam quantificar a influência que o desconforto físico/sensitivo como fome, frio e/ou calor, bem como a taxa de nutrição/desnutrição e até índices de consumo de açúcar tem sobre o processo de aprendizado. Com isso, é possível não só saber como as condições de ambiente e alimentação estão afetando o aprendizado do aluno, mas  também especificamente o quanto e em que tipos de processos mentais e, a partir disso, é possível estruturar intervenções mais bem direcionadas e eficientes. Outro exemplo interessante são os estudos que se dedicam a compreender um fenômeno conhecido como “Ansiedade matemática” que está relacionado a um medo real (fisiológico) de cálculos numéricos. Aqui tem um texto bem interessante sobre este assunto.

Psicologia

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Ao estudar a mente e o comportamento dos alunos, procura-se compreender seu contexto emocional e social de modo a entender como o pensamento, sentimentos e emoções podem estar afetando o processo de aprendizado. Um exemplo interessante que aprendi no evento foi sobre a influência das emoções no aprendizado. Para isso vou definir bem superficialmente o que são emoções e sentimentos. Emoções, segundo as definições mais comuns, são respostas fisiológicas (sensações) involuntárias e universais que nosso organismo apresenta a partir de estímulos internos e/ou externos. Já sentimentos são as interpretações subjetivas que fazemos a partir de uma ou mais emoções que sentimos a partir do nosso contexto. Assim, sentimentos e emoções estão diretamente ligados de modo que emoções pode causar sentimentos e vice-versa. Por exemplo, um aluno que em alguma atividade pedagógica avaliativa de Física experimentou elevados níveis de estresse e desconforto (como medo de um desempenho ruim devido a elevada cobrança própria ou parental) pode desenvolver o sentimento (interpretação subjetiva dessa emoção) de que Física é algo ruim, que lhe cause medo. A partir daí, frente a futuras atividades e avaliações da mesma disciplina o sentimento criado pode despertar e amplificar essas emoções (no caso, medo) de modo a paralisar o aluno independente do seu nível de preparo. Neste caso, é importante compreender como essa relação foi construída para tentar atuar de modo a desfazê-la.

Pedagogia

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Por fim, tentando compreender as etapas de desenvolvimento cognitivo do indivíduo se busca construir metodologias e técnicas que promovam processo significativo de aprendizado. Como exemplo temos as metodologias ativas de ensino que já tratamos detalhadamente aqui com sua proposta de educar para autonomia (heutagogia).

Assim, as 3 áreas se combinam e complementam de modo a trabalhar as diferentes frentes onde se pode atuar para facilitar o processo de construção de conhecimento de cada indivíduo, compreendo o aprendizado como mudança de comportamento.

Neste sentido, a Neuroeducação é uma área que se apresenta forte na educação inclusiva, uma vez que ela avalia o sujeito para além do contexto escolar, percebendo o educando a partir da modificação do seu comportamento, seja ele psicomotor, cognitivo ou comportamental. (Mais sobre aqui)

Embora já esteja bem estabelecida no exterior há algum tempo (veja aqui), a Neuroeducação é relativamente recente no Brasil, mas tem crescido cada vez mais com publicação de livros (Neuroeducação e Ações Pedagógicas) e o surgimento de centros de pesquisa e uma revista especializada no tema (Revista NeuroEducação). Assim, acredito que a neuroeducação veio para somar (e muito) no desenvolvimento e evolução do modo como vemos a educação e o processo de ensino/aprendizado e estou ansioso para aprender mais sobre o tema.

Futuramente pretendo escrever de modo mais específico sobre os trabalhos que vi na Jornada. De todo modo, espero ter conseguido dar uma boa introdução e um apanhado geral sobre essa nova área que combina 3 grandes ciências, buscando eficiência na ciência de educar. Como sempre espero ter contribuído e até a próxima semana.

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