ENCANTAMENTO E ENTRETENIMENTO À SERVIÇO DA EDUCAÇÃO – PARTE I

Olá, pessoal. Como já informei nesse post estou fazendo uma pós-graduação que tem sido maravilhosamente transformadora para mim. E uma das coisas que aprendi por lá que gostaria de compartilhar é sobre o encantamento na sala de aula. Para introduzir o assunto gostaria de propor uma breve reflexão/provocação.

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Muitos educadores falam sobre o desafio de se conquistar atenção de alunos cada vez mais conectados e dispersos. Porém, a indústria do entretenimento faz isso maravilhosamente bem. Afinal, o mesmo adolescente que vive conectado o tempo todo, é capaz de desligar o telefone por até 3 horas para assistir um filme no cinema. E isso tem muito a dizer sobre essa indústria e talvez, se compreendermos um pouco melhor essa capacidade de encantamento que a indústria do entretenimento desenvolveu nos quase 100 anos de sua existência, podemos encontrar elementos que possam ser úteis para tornar o ambiente da sala de aula mais cativante e atrativo para o estudante. E é sobre isso que pretendo falar nas próximas duas publicações.

Na primeira parte gostaria de promover uma reflexão sobre o potencial da indústria do entretenimento para gerar adesão e depois expressar como isso pode ser usado para promover educação significativa.

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O que é o entretenimento à serviço da Educação?

Primeiro, é bom esclarecer o que seria usar o encantamento e o entretenimento para promover educação significativa e gosto de começar fazendo isso estabelecendo o que não é. Não é usar filmes e programas de TV para ensinar, não usar vídeos e documentários para criar tarefas e lições ou lago do gênero.

A ideia é tornar o ambiente escolar o local mais legal, descolado, bacana, divertido, incrível, marcante e inesquecível para o aluno. É deixar o aluno tão animado para participar do processo de aprendizado quando ele fica para ir ao cinema. Acredito fortemente que despertar esse tipo de fascínio e admiração pelo conhecimento é uma das formas mais eficientes de tornar o processo de aprendizado prazerosamente estimulante, de modo a garantir que o aluno persevere nos momentos de dificuldades que surgirem durante o processo (como já falei nesse texto sobre mindset).

E, nesse contexto, acredito que a indústria do encantamento e entretenimento tem algumas coisas a nos ensinar e alguns elementos que podemos importar e adaptar para nossa realidade. E isso pode ser uma prática bem inovadora visto que esses recursos são, historicamente, pouco usados na educação.

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E acredito que são pouco usados por dois motivos principais, o primeiro porque não foi assim que aprendemos. Afinal, muitas aulas até hoje, são ministradas como eram há 200 anos atrás, no mesmo formato e estrutura e não há nada de encantador nisso.

Segundo, porque é muito difícil e demanda muito recurso (de tempo e infraestrutura) e aqui é o ponto onde acho que podemos aprender com a indústria do entretenimento. O que me leva ao segundo ponto, os termos “indústria” e “encantamento”.

A Indústria do Encantamento/Entretenimento

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Quando começo a falar sobre a indústria do entretenimento/encantamento e como podemos aprender com ela para melhorar a experiência educacional, muitos focam no termo “indústria” para pontuar, corretamente, que educação não deve ser vista como “mera indústria” de consumo e venda e conhecimento. E concordo plenamente com isso, mas por isso que é importante compreender o termo “indústria” aqui empregado e o que quero tirar dele.

Uma indústria (do ponto de vista bem-sucedida do termo) é um empreendimento que conseguiu estabelecer uma série de processos produtivos que é sustentável e longeva. Se a cadeira produtiva da indústria não for sustentável (tiver custos elevados demais, desperdícios de recursos ou impactar de modo destrutivo o ambiente e a sociedade) a mesma dificilmente será longeva e economicamente viável. Assim, ao falar da “indústria” do encantamento como inspiração, me refiro a observarmos os elementos, técnicas e abordagens que tornaram essa prática algo sustentável, economicamente eficiente e longevo.

Com relação ao segundo termo eu prefiro usar “Encantamento” e não “entretenimento” porque: 1 – Evita a associação pejorativa que muitos na academia tem com o entretenimento, como se fosse algo que atrapalha o pensamento e mina o processo educativo e 2 – Traduz melhor a ideia de como acredito que esse recurso deva ser usado.

Todo ser humano consome alguma forma de entretenimento e muitas vezes tendemos a hierarquizar intelectualmente formas de nos entreter. Daí vem a expressão “guilty pleasure” (ou prazer culpado) para categorizar aqui que gostamos de consumir, mas deveríamos nos sentir culpados por gostar. Eu não gosto dessa expressão para entretenimento, uma vez que acredito que entretenimento deve ser tudo aquilo que te faça bem e, se te faz bem e não fere outros, não deveria provocar culpa. Assim, do modo que quero apresentar aqui, o entretenimento (principalmente cinematográfico) pode e deve ser usado como uma forma de despertar fascínio, admiração e prazer em relação ao conhecimento. Em outras palavras, tornar o conhecimento algo ENCANTANDOR e daí o termo.

Encantamento versus Educação

Agora, vamos olhar rapidamente para um comparativo entre a indústria do encantamento e a educação para entender o contexto em que cada uma evoluiu. Traçando um paralelo rápido podemos notar que durante os últimos 100 anos a indústria do entretenimento (principalmente cinematográfico) evoluiu em um contexto de feroz competição (a cada ano surgiram novos estúdios e iniciativas inovadoras como YouTube e serviços de Streaming. Isso força uma adaptação constante. Além disso, existia a competição com outras atividades humanas, afinal ninguém é obrigado (socialmente ou legalmente) a frequentar uma sala de cinema e consumir filmes e séries. E ainda que procurem frequentar, as pessoas têm perfis diversificados e são exigentes de modo que a indústria teve de desenvolver e sofisticar diferentes fórmulas para entreter.

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Agora analisemos o cenário educacional. Socialmente e legalmente os indivíduos são obrigados (ou fortemente incentivados) a buscarem educação formal, pelo menos na primeira década e meia de vida. Assim, escolas não precisavam ser atraentes uma vez que toda criança e adolescente eram obrigados a frequentar a sala de aula seja por lei, pressão social ou necessidade (afinal era o único ambiente para obter informação e conhecimento). Atualmente, com o surgimento de cada vez mais iniciativas não formais de educação e o acesso indiscriminado e democrático à informação que a internet permitiu, as instituições enfrentam uma crise de evasão e daí surge o importante desafio de tornar a sala de aula encantadora e atraente.

E esse é o principal ponto que gostaria de fazer com essa primeira parte: Se temos uma indústria e todo um setor cultural e econômico que enfrenta este problema há mais de um século, porque não tentar aprender com ele e tentar tirar uma lição ou duas que possa nos ajudar a adaptar as abordagens e propostas educacionais para esse contexto atual?

Mas quais seriam esses elementos que podemos aproveitar e importar? Esse é o tema da parte II desse texto porque se colocar aqui vai deixar o post grande demais

Até a próxima semana e como sempre espero ter contribuído.

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