VIDEOAULAS #2: QUATRO DICAS PARA FAZER UMA

Olá, pessoal. Antes de qualquer coisa peço desculpas pela ausência nas últimas semanas, mas tive alguns imprevistos pessoais que tomarem quase todo meu tempo. De todo modo, tudo se resolveu e voltamos a nossa programação normal. Na última publicação, falei um pouco sobre a importância do uso de videoaulas em diferentes contextos, listando 6 sugestões onde essa ferramenta pedagógica pode se mostrar um recurso extremamente eficiente. Se você não leu ainda, clique aqui para dar uma olhada.

Nessa segunda parte, pretendo trazer algumas dicas e sugestões dos principais cuidados e elementos a serem observados para quem deseja se aventurar nesse universo.

ROTEIRO

1 – Prepare um roteiro

Embora para muitos alunos a fala do professor soe tão natural que parece tudo improvisado e espontâneo, todo professor sabe que cada aula demanda muito planejamento e preparação. Pesquisamos exemplos e atualizamos informações para trazer sempre conteúdo de qualidade em nossas aulas a fim de apresenta-lo da melhor forma possível.

O mesmo cuidado deve ser tomado ao se preparar um vídeo. O primeiro passo para a elaboração de uma videoaula é um planejamento do que será dito e apresentado em cada momento e um roteiro é a ferramenta mais eficiente para organizar tudo isso.

Não precisa ser exatamente um roteiro nos moldes de roteiros de cinema e teatro, mas é importante ter pelo menos listados os tópicos que queremos abordar. E, embora estejamos acostumados a preparar roteiros para nossas aulas, um roteiro de vídeo tem algumas diferenças importantes, por isso, recomendo fortemente estudar um pouco a respeito.

Existem diferentes formatos de roteiro e depende muito do tipo de material a ser gravado, de quem fará a edição (se você mesmo ou um colaborador) e da preferência do professor. Eu gosto muito do roteiro “Espelho de cinco colunas” (que aprendi nesse link junto com outros formatos) porque reduz bastante o trabalho na hora de editar (seja meu ou de um colaborador). Se ainda tiver mais dúvidas sobre elaboração de roteiro recomendo este site para dicas mais técnicas (inclusive sobre roteiro de videoaulas) e este que tem ótimas sugestões para deixar seu vídeo mais dinâmico.

RELOGIO

2 – Mantenha o vídeo curto

Sempre temos muita informação para transmitir e algumas vezes podemos cometer o equívoco de assumir que o tempo de vídeo deve ser próximo da duração de uma aula (de 45 a 50 minutos). Mas é preciso considerar que, enquanto em sala de aula há uma interação dinâmica do aluno com seus colegas e o professor, em uma videoaula, quase sempre, o aluno é agente passivo quase todo o tempo. Portanto, um vídeo muito longo pode se tornar extremamente cansativo e contraprodutivo.

Além do mais, o aluno pode ir pausando o vídeo para fazer anotações, o que vai tornar o tempo de consumo mais longo. Na verdade, algumas estimativas e estudos indicam que o tempo de estudo/consumo de uma videoaula é, em média, o dobro da duração do vídeo para vídeos de até 10 minutos e o triplo para vídeos de 10 a 20 minutos. Afinal, quanto mais longo o vídeo, mais informação ele costuma conter e isso demanda mais pausas, anotações e pesquisas por parte do aluno.

Assim, um vídeo de 40 minutos pode acabar se tornando uma tarefa de mais de 2 horas para o aluno fazer, o que pode acabar desmotivando o aluno e tendo efeito oposto ao pretendido na preparação do conteúdo.

A maioria dos produtores de conteúdo educativo bem-sucedidos recomendam vídeos com duração em torno de 5 a 15 minutos. Pode parecer pouco, mas é preciso compreender que em vídeo a entrega de informação é muito mais rápida que em uma aula presencial e, por isso, 5 minutos de vídeo podem transmitir informação que levamos de 20 a 30 minutos em sala de aula.

QUALIDADE

3 – Atente para a qualidade

Não é necessário fazer uma superprodução com animações e edições profissionais, porque isso demanda tempo e recurso que muitas vezes não temos. Mas, existem alguns cuidados relativamente simples que podem fazer nossa produção dar um salto de qualidade. Elementos como iluminação e captação de áudio podem dar um salto de qualidade no seu vídeo sem, necessariamente, custar muito. Por exemplo, ao gravar um vídeo usando a captação de áudio da própria câmera, temos grande chance de gravar o áudio com ecos que prejudicam a qualidade sonora. Além disso, dependendo da iluminação ambiente o vídeo pode ficar escuro ou claro demais.

Alguns acabam por investir na compra de equipamentos de iluminação (como softbox) e microfones de lapela ou direcionais, mas isso pode ficar bem custoso. Há alternativas com custo bem baixo que podem ser usadas através da filosofia DIY (Do it Yourself), conhecida como “faça você mesmo” que existem pelo YouTube.

Este vídeo, por exemplo, ensina como um fone de celular (desses que usamos para ouvir música) pode ser convertido em um microfone de lapela e acoplado ao nosso telefone para servir de captação de áudio. Ele não terá o mesmo nível de qualidade de um microfone profissional, mas representa um salto enorme de qualidade em relação à captação de áudio com o microfone da câmera.

Já estes dois vídeos (aqui e aqui) ensinam como fazer uma softbox de iluminação (cuja profissional custa em média de 300 a 400 reais) com materiais simples como papelão e lâmpada, baixando o custo para menos de 50 reais. Dá até para fazer um teleprompter (aquela telinha que fica passando o texto para jornalistas lerem durante o telejornal) caseiro usando portarretrato, tinta preta e um tablet velho, excelente para ler o roteiro sem tirar os olhos da câmera.

E, se você ou sua escola estiverem dispostos a investir um pouco mais em equipamento/material, recomendo muito os vídeos do Michael Oliveira, como esse aqui, onde ele dá dicas muito úteis de técnicas e equipamentos para melhorar a qualidade da nossa produção audiovisual.

ORIGINAL

4 – Seja você mesmo

O principal motivo para que façamos nós mesmos nossa videoaula é justamente o relacionamento que temos com os alunos que vão consumi-las. O engajamento cognitivo tende a aumentar quando o aluno reconhece o professor do vídeo. Por isso, é extremante importante que sejamos nós mesmos na frente da câmera. Quando vamos gravar surge um impulso muito grande de tentar articular diferente as palavras e tentar forçar uma postura. Mas, temos muito mais chance de ter um vídeo bem-sucedido se o aluno reconhecer no vídeo o mesmo professor que ele vê na sala.

Bom, vou encerrando por aqui e como sempre espero ter ajudado. Até semana que vem.

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