INTELIGÊNCIA EMOCIONAL – PARTE III

Olá, pessoal. Nas duas últimas publicações falei um pouco sobre a Inteligência Emocional. Primeiro falamos sobre o que seria a IE qual a sua importância para o desenvolvimento acadêmico e para a vida adulta em sociedade. Em seguida compartilhei algumas sugestões de como podemos agir para desenvolver elementos da nossa própria IE afim de promover um ambiente educacional mais saudável e propício para o desenvolvimento da IE discente. De fato, como mostra essa investigação feita em 2017 com 599 professores do Ensino Básico e Secundário, docentes que apresentam mais capacidade para lidar com emoções, demonstram maior gestão da disciplina em sala de aula.

Nessa terceira parte escolhi falar um pouco sobre algumas atividades e propostas que podem ser realizadas em sala e que, de alguma forma, ajudam a estimular o desenvolvimento de alguns elementos da IE discente. São 5 sugestões que, assim como as 4 propostas da publicação anterior, representam uma compilação que construí a partir do material de estudo que consultei (artigos, livros, vídeos e sites) combinado à minha própria prática docente.

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1 – Compreender e Classificar Emoções e Sentimentos: Este é um dos exercícios mais simples e interessantes que podem ser feitos para ajudar os alunos a compreender melhor os sentimentos e começar a entender mais sobre eles. A atividade consiste em pedir aos alunos que escrevam em uma folha uma lista de emoções e sentimentos e, na sequência, que eles definam cada um deles. A partir daí, sempre que sentirem emoções mais fortes como frustração, decepção, raiva ou entusiasmo, que busquem escrever precisamente o que estão sentindo comparando posteriormente com as definições que fizeram. A ideia é que ao formular e escrever uma definição eles aprendam a identificar, diferenciar e classificar emoções e sentimentos que possam vir a experimentar e, com o tempo, desenvolvam mecanismos para lidar com cada um deles.

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2 – Estimular, conhecer e controlar o corpo:  A ideia aqui é executar atividades que estimulem sensorialmente o aluno, ajudando-o a conhecer o próprio corpo, e exercícios de respiração e concentração para que ele possa desenvolver mecanismos fisiológicos de autocontrole. Uma proposta para o estímulo sensorial é trazer para a sala objetos com diferentes texturas, cheiros e sabores para que os alunos possam exercitar sentidos além da visão e audição. Outra possibilidade é pedir que os alunos fechem os olhos e se concentrem na própria respiração, batimentos cardíacos e nas sensações que está sentido. Ambas atividades ajudam o aluno a ampliar a percepção de si e a apreciar diferentes sensações de bem-estar que podem ajudar muito no autocontrole.

Já no âmbito do autocontrole a proposta é usar exercícios respiratórios, automassagem, meditação e movimentos que interagem corpo e mente, com os de Yoga, Tai chi chuan, biodança, entre outros. Um exercício bem simples e que tem se mostrado bastante eficiente é o seguinte: I – Inspire pelo nariz (com a boca fechada) por 4 segundos, II – segure o ar nos pulmões por 7 segundos, III – Solte o ar pela boca (fazendo um “ooooh” silencioso) por 8 segundos, IV – volte à etapa I inspirando novamente e repita o ciclo 4 vezes.

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3 – Reação Planejada à Acusação: Simule situações onde o aluno seria acusado de uma má conduta ou mal comportamento. Apresente para ele a situação e a suposta acusação e peça para que ele pense seriamente em como se sentiria e como reagiria. Em seguida, peça para que coloque tudo isso em texto. Informe que ninguém, além dele, vai acessar o texto, e que a escrita é apenas para ele compreender melhor suas próprias emoções e como lidar com elas. Esse tipo de exercício é excelente para que o aluno compreenda melhor como se sentiria numa situação de irritação (em que fosse injustiçado) ou de frustração (onde estudou muito para um teste que fracassou). A ideia é ajudar o aluno a construir um repertório emocional que o ajude a lidar melhor com essas situações quando ocorrerem na realidade.

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4 –  Emoções e rosto: Essa atividade consiste em apresentar para o aluno uma série de expressões faciais para que ele tente identificar as emoções que cada rosto exibe. Existem algumas fotos/gabaritos na internet feitas especificamente para esse tipo de teste. Esse exercício busca ajudar o aluno a identificar as emoções de outros de modo a desenvolver melhor a empatia. Um complemento interessante da atividade seria, em um segundo momento, usar a lista de emoções que eles definiram no exercício 1 dessa lista, e pedir que expressem esses sentimentos e emoções com o rosto/corpo na frente de um espelho.

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5 – Expressar emoções com arte: A quinta e última proposta consiste em oferecer aos alunos insumos para produção artística (tinta, lápis, folha, massa, instrumento musical, etc) e pedir que o aluno crie alguma peça artística (um desenho, uma música, uma escultura ou um texto) que represente algum sentimento e/ou emoção. Pode inclusive sortear alguma da lista que eles construíram na atividade do item 1.

Esse tipo de atividade ajuda o aluno a aprender a expressar suas emoções com diferentes linguagens, achando possíveis canais alternativos de comunicação e válvulas de escape que podem ter grande valor em momentos de irritação, tristeza e frustração.

Existem diversas outras atividades e exercícios destinados a auxiliar alunos a desenvolverem melhor sua inteligência emocional varrendo diferentes faixas etárias e contextos. As que listei aqui são mais recomendadas para alunos a partir do Ensino Fundamental II até o final do Ensino médio. De todo modo, ainda há poucos trabalhos no Brasil destinados ao tema no que tange a educação básica e, para quem se interessar em aprofundar mais no assunto recomendo uma busca em artigos e livro em inglês.

Embora ainda haja muito a falar sobre esse assunto, acredito que com essas 3 últimas publicações foi possível fazer uma abordagem geral e introdutória o tema. O foco foi justamente oferecer um ponto de partida para quem deseja aprender mais sobre Inteligência Emocional e sua relevância social e para a sala de aula.

Gostaria de agradecer encarecidamente o meu colega e excelente professor de Química Vinícius Carvalho que teve grande contribuição na produção dessa série indicando material e reflexões sobre o tema.

Como sempre espero ter contribuído e até semana que vem.

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