EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI – PARTE V – O PROFESSOR

Olá, pessoal, esta semana retornamos à “programação regular” para chegar à quarta reflexão que é acho importante aprofundar ao se falar sobre a Educação no Século XXI, que é “E o professor nisso tudo? ”.

Em um dos meus primeiros textos eu falei sobre qual acreditava ser o papel do professor na educação de modo geral e você pode ler sobre aqui. E não é essa reflexão que pretendo aprofundar nesse texto. Hoje, eu gostaria de falar um pouco sobre o eu tenho percebido que se espera desse “professor do amanhã” que “Educa para o século XXI” e quais as principais questões que se desdobram dessa demanda.

Considerando tudo que o que já foi dito nas reflexões anteriores, fica bem claro que cada vez mais busca-se um atendimento mais personalizado e direcionado, trabalhando valores e questões socioemocionais lado a lado com conteúdo. Desse modo, espera-se que o professor seja aquele que motiva, estimula, provoca e orienta, enquanto interage e percebe as necessidades individuais de cada aluno. E nesse processo, cabe ao docente trabalhar com os alunos as habilidades essenciais para a sociedade e o mercado que os aguardam nas próximas décadas.

Baseado nisso, não faltam vídeos, artigos e livros que se dedicam a tentar estabelecer quais as habilidades e competências essências para o professor do século XXI. Estudando algum desse material a um tempo eu pude compilar o que absorvi em 3 características principais:

1 – Ser aberto/entusiasta de Novas tecnologias e metodologias.

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A todo momento surgem novas ferramentas, técnicas e métodos de ensino baseados em análises e estudos diversos. E com o desenvolvimento tecnológico atual a disseminação destas ideias ocorre em velocidades impressionantes. Assim, em meio a tanta novidade, o professor do século XXI deve ser capaz de se informar rapidamente para manter-se atualizado, analisar criticamente as inovações que encontrar para, caso encontre uma que tenha valor, adaptar sua prática buscando mais eficiência e constante aprimoramento. E para que tudo isso acompanhe o fluxo contínuo e volumoso do surgimento de novos métodos, abordagens e tecnologias, é necessário, além de bons curadores (já falamos sobre isso aqui) muito entusiasmo e uma mente bem aberta.

E isso não diz respeito apenas à prática docente, mas também a conteúdo. Cada vez mais surgem ferramentas e técnicas de estudo, organização e otimização de tempo e, um professor preparado para capacitar o aluno para o mercado e sociedade futura, eventualmente terá de conhecer algumas dessas ferramentas ou estar preparado para aprender alguma delas rapidamente.

2 – Ser multidisciplinar e bilíngue.

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Com uma educação cada vez mais orgânica, onde a demanda é pelo trabalho de conteúdos de modo mais contextualizado e inserido na realidade do aluno, a fragmentação do conhecimento está cada vez menor. As tendências para a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade estão cada vez mais fortes e nesse cenário, o espaço para docentes que focam sua especialização apenas para as ementas de suas disciplinas, vai diminuindo cada vez mais.

E nessa necessidade de uma formação multidisciplinar e multicultural para um mundo cada vez mais globalizado, é necessário conhecer outras línguas e culturas. Em praticamente todas as áreas do mercado de trabalho o domínio de uma segunda língua passou de adicional para essencial e na educação isso não é diferente. Além das demandas naturais do mercado, o domínio de outro idioma abre portas para toda uma miríade de conteúdo adicional para formação docente. Uma rápida busca no Google já mostra uma discrepância absurda entre o número de produtores de conteúdos informativos e educativos em inglês em relação ao nosso idioma. O próprio Wikipédia tem artigos em inglês de 3 páginas sobre um assunto enquanto que em português, para o mesmo assunto, o artigo não passa de 3 parágrafos.

3 – Ter e saber trabalhar inteligência emocional e socioemocional.

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A única forma de se ensinar algo é aprendendo muito bem primeiro. Essa é a regra básica de qualquer pessoa que deseja se aventurar como educador. Por isso, no momento que surge uma demanda para se trabalhar autoconhecimento, inteligência emocional e valores como resiliência, integridade, tolerância e respeito, é preciso que o próprio educador busque aprender bem a lidar com tudo isso.

Afinal, se o educador pretende ajudar o jovem a aprender a lidar com suas emoções (frustrações, medos, angústias e euforias) para controla-las, ele mesmo precisa trabalhar essas questões em si. A inteligência emocional perpassa pelo autoconhecimento com importantes reflexões sobre nossas motivações, medos e anseios. O livro “O Jeito Harvard de ser Feliz”, do Shawn Achor, fala bastante sobre essa questão quando aborda os 3 níveis de felicidade na carreira que, segundo ele, estão relacionados à motivação da pessoa pelo seu trabalho: Pelo salário, pelo cargo ou pela missão, onde o primeiro nível é o que tem mais baixo índice de felicidade enquanto que o terceiro contempla o maior nível. (Planejo fazer uma resenha mais detalhada do livro no futuro e por isso não vou me aprofundar muito no assunto por aqui.). De todo modo, fica clara a necessidade do professor de se conhecer emocionalmente muito bem e isso não é nada trivial.

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Ao olhar para essas 3 demandas eu me faço duas perguntas que permeia todo esse debate. A primeira é: O mercado acompanha os novos arranjos que essas demandas podem produzir? Porque, ainda que o professor se mantenha atualizado com capacitação contínua, uma educação humanizada e voltada para esses elementos demanda uma atuação muito mais direcionada e personalizada do professor, o que fica bem complicado de fazer em turmas de 45 a 60 alunos. Além disso, esse tipo de abordagem demanda muito mais desafios para a prática docente o que implica em mais tempo de planejamento e preparação das aulas. E aí, com jornadas duplas e triplas resultantes da baixa valorização, isso se torna impraticável.

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E já existe, ainda que timidamente no mercado, essa percepção de que, se desejam esse perfil de professor, vão ter de investir em infraestrutura, alocação inteligente de recursos e valorização do profissional. Essa tendência ainda é pequena, mas está crescente e quanto antes for a adaptação do profissional docente a estas demandas, maior sua chance de ser bem alocado neste cenário.

Outro ponto onde será necessário investir (e aqui entram professores e empresas de educação) é na formação continuada. Não só pela velocidade e volume de inovações que surgem, mas também porque, uma breve análise na maioria das licenciaturas brasil afora (salvo exceções pontuais), e percebemos ainda um elevado foco teórico-conteúdista com viés para abordagens mais tradicionais de ensino. E isso puxa a segunda pergunta: E a formação docente, está acompanhando essas demandas e capacitando o professor para este cenário?!

Essa pergunta é o cerne principal da próxima reflexão que pretendo abordar na próxima semana e, portanto, vou parar por aqui. Como sempre espero ter contribuído e até semana que vem.

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