INTERDISCIPLINARIDADE – PARTE II: EIXOS TEMÁTICOS

Olá Pessoal. Dando sequência à série sobre interdisciplinaridade, hoje eu escolhi falar sobre eixos interdisciplinares. Na publicação da semana passada, falei de uma ferramenta que acho excelente para abordagens interdisciplinares: o documentário (ilustrando com a resenha de um filme em específico). Esta semana decidi falar um pouco sobre eixos temáticos, que são assuntos/temas centrais a partir dos quais todas as disciplinas podem se posicionar e explorar sob a ótica de seus currículos e habilidades.

Selecionei 3 eixos que acredito terem enorme potencial para abordagens multidisciplinares, comentando um pouco o porquê da potencialidade de cada um. Passemos à mágica.

Sentidos Humanos:

visao

Uma análise dos sentidos humanos, principalmente visão e audição, reserva enorme potencial interdisciplinar. No que tange às Ciências da Natureza e Matemática, temos algumas combinações mais diretas/óbvias da Física, Química, Biologia e Matemática com tópicos como: Óptica geométrica, instrumentos ópticos, o olho humano e problemas da visão, o som, instrumentos sonoros, sistema auditivo, sinestesia e percepção de cores, sons e sabores. Este trabalho é um exemplo dos muitos trabalhos possíveis com essa abordagem.

audição

Porém, acredito em um potencial ainda maior dessa temática em pelo menos duas outras possibilidades de abordagem, que permitem conciliar as áreas de CN e Matemática com Linguagens e Ciências Humanas. A primeira e mais óbvia, é a questão da comunicação e o consumo de informação e artes, que fazemos através dos sentidos. Assim, aproveita-se, por exemplo, o estudo da ótica, olho humano e instrumentos da visão, para falar da harmonização de cores, artes visuais, cinema e fotografia, colocando tudo no devido contexto histórico e social. Outro exemplo seria aproveitar o estudo de harmônicos em instrumentos sonoros e o sistema auditivo para falar de música, diferentes instrumentos, afinações, notas, tons e timbres sonoros.

chocolate

Há também trabalhos bem interessantes (como este sobre o Chocolate) que misturam história, biologia, química e sociologia ao falar de gastronomia e a percepção de sabores.

A segunda abordagem, que na verdade complementa a primeira, consiste em colocar todas as ideias listadas anteriormente no âmbito da inclusão social e dos portadores de necessidades especiais. Neste caso, o céu é o limite de como as diferentes disciplinas podem se combinar para tratar dessa temática, de modo a colocar seus conteúdos em um contexto mais amplo.

Práticas Esportivas:

multi-esportes

Com a realização recente de grandes eventos esportivos como Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, a temática das práticas esportivas dominou o cenário educacional e isso trouxe à tona uma série de ideias e possibilidades em torno dessa temática. E isso é importante porque, para além dos grandes eventos, a prática esportiva é uma atividade com inúmeros benefícios fisiológicos e sociais e que, em alguns contextos, ainda é pouco aproveitada no desenvolvimento de práticas educativas multidisciplinares. Por isso, listo aqui alguns exemplos apenas para ilustrar o enorme potencial dessa temática.

paralimp

O uso mais comum que observei nos artigos e trabalhos que li, é a combinação direta do estudo do movimento em diferentes modalidades esportivas analisando parâmetros físicos (como velocidades e trajetórias) combinados a fisiologia e análise biomecânica. Como exemplo de trabalhos nessa linha destaco este e este onde diferentes modalidades esportivas são usadas para linkar os conteúdos de Educação Física, Química, Biologia e Física através da mecânica do corpo humano dentro da prática. Dentro dessa abordagem é possível ainda concatenar os estudos com o aspecto cultural, histórico e social da prática esportiva dentro de cada sociedade, abrindo ainda mais o leque de possibilidades interdisciplinares.

paralimpico

A coisa fica ainda mais interessante se, novamente, colocarmos tudo isso no contexto dos portadores de necessidades especiais com temáticas desde a inclusão social e a importância de eventos como as Paralimpíadas, até as questões de Física e Biologia envolvidas nas diferentes necessidades especiais e os mecanismos de adaptabilidade.

Eventos Históricos:

history

Este é um dos eixos mais comuns para se criar atividades e propostas interdisciplinares e isso é por um motivo bem simples. Praticamente tudo o que temos de conhecimento em qualquer área do saber foi construído e estabelecido dentro de um contexto histórico. Assim, a história e, mais precisamente, determinados eventos específicos, são excelentes panos de fundo que permitem conectar os mais diversos assuntos a partir do contexto que compartilham.

O exemplo mais óbvio disso é a publicação de semana passada na qual o documentário usa a linha cronológica da história do Urânio para concatenar diferentes áreas do conhecimento. Outro exemplo seria usar um evento de proporções mundiais, como as duas grandes guerras, onde História e/ou Geografia abordariam o assunto concatenando diferentes tópicos como: Reações nucleares e radiação (Química), Termologia e energia liberada em explosões e tecnologias de guerra (Física), Criptografia e códigos da primeira Guerra com Alan Turing (Matemática), ética na guerra e os dilemas morais e éticos da ciência armamentista (Filosofia, Sociologia e Língua Portuguesa). Recentemente, tive o prazer de participar de uma atividade neste formato e foi excelente.

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Estes 3 eixos contemplam a maioria esmagadora de trabalhos que li sobre propostas interdisciplinares, mas de modo algum esgotam as possibilidades. São apenas temas comuns nos quais a riqueza de possibilidades fica mais evidente. De todo modo, atividades interdisciplinares dependem de dois fatores fundamentais para serem bem-sucedidas: A boa vontade e colaboração dos professores envolvidos e um cenário propício para essas colaborações. Estas atividades demandam um forte planejamento em conjunto e isso só é possível se houver interesse das partes envolvidas e uma proposta educacional que permita essa colaboração, seja oferecendo tempos de planejamentos conjuntos aos docentes de diferentes áreas, seja com oferta de capacitação/formação continuada entre outras ações.

Ainda assim, todo e qualquer esforço para executar este tipo de atividade é válido, uma vez que coloca o conhecimento em um contexto mais amplo e, como já deve ter ficado claro, é uma excelente ferramenta para promover uma educação inclusiva e que conscientiza. Como sempre, espero ter contribuído e até a próxima semana.

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