METODOLOGIAS ATIVAS – PARTE VIII: MÉTODO JIGSAW

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Olá Pessoal. Esta semana escolhi falar sobre uma metodologia ativa que usei recentemente (e adorei o resultado) e que só não entrou na série na época certa por dois motivos: 1 – Eu ainda estava concluindo a leitura da bibliografia e 2 – Surgiram outros temas logo na sequência como a BNCC e o evento de Neuroeducação. Bom, passemos então ao método. A técnica se chama JigSaw e não, não envolve o personagem dos filmes de terror “Jogos Mortais”. Na verdade, tanto a técnica, quanto o personagem do filme tem o nome porque esse é o nome dado àqueles quebra-cabeças tradicionais.

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O método se baseia no princípio da aprendizagem cooperativa e consiste em dividir a turma em grupos que vão trabalhar de modo cooperativo se reorganizando em diferentes momentos e agrupamentos para partilhar e construir conhecimento. Parece apenas mais um “trabalho em grupo”, mas tem particularidades bem interessantes em suas etapas que pretendo detalhar mais neste post e que permitem desenvolver diferentes habilidades nos alunos.

Eu já vi dois formatos diferentes do método nas referências que estudei, mas ambos têm basicamente a mesma estrutura. Vou descrever ambos os formatos aqui começando pelo que é mais comum (Quem tiver interesse pode ler mais sobre aqui e aqui). Para ilustrar melhor vou usar como exemplo uma turma fictícia de 20 alunos que vão estudar sobre as 4 possíveis transformações de gás ideal: Isovolumétrica, Isobárica, Isotérmica e Adiabática.

Formato I:

Primeira etapa – Grupos de Base

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Os alunos são divididos em grupos e para cada grupo é atribuído o tema da aula para que discutam o tema. O tema é apresentado aos alunos dividido em tópicos de modo que o número de tópicos corresponde ao número de membros do grupo. Os alunos então devem discutir e pesquisar sobre o tema e por fim definirem quem fica com qual tópico. Em nosso exemplo podemos formar 5 grupos de 4 alunos e dividir em 4 fazendo de cada transformação um tópico. Assim eles devem pesquisar/discutir sobre o que é um gás ideal e sobre as transformações possíveis e discutir/pesquisar sobre todas elas. Ao fim da discussão devem decidir quem fica com cada tópico.

Segunda etapa – Grupos de Especialistas

Os alunos agora se separam do grupo de base original e se agrupam de acordo com os tópicos escolhidos. Assim, todos que escolheram “Transformação Adiabática” se reúnem em um grupo, os que escolheram “Transformação Isovolumétrica” em outro e assim por diante. A sala agora contém 4 grupos de 5 alunos, cada grupo trabalhando tópicos específicos dentro do tema. Os alunos devem então, pesquisar mais especificamente sobre o assunto e discutir entre si, de modo a aprofundar o máximo que puderem naquele tópico, de modo a se tornarem especialistas nele.

Terceira etapa – Retorno aos Grupos de Base.

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Cada especialista retorna ao seu grupo de base original e explica ao grupo o que aprendeu sobre seu tópico designado. Neste momento o grupo compartilha o conhecimento adquirido por cada especialista de modo que cada aluno aprenda o que se especializou pela sua pesquisa e os demais assuntos pela explicação dos colegas.

Formato II

No segundo formato, a ordem dos grupos é um pouco invertida e se começa pelos especialistas. É importante que seja sempre informado aos alunos que eles terão de ensinar aos colegas o que aprenderam nas próximas etapas. Vamos usar o mesmo exemplo.

Primeira etapa – Grupos de Especialistas

Os alunos são divididos em grupos e para cada grupo é atribuído um tema/tópico diferente com sugestão de material didático (um artigo, site ou parte do livro) para pesquisa. O grupo tem alguns minutos para pesquisar o assunto e discutir entre si de modo a se aprofundar e compreender ao máximo o tópico. No nosso exemplo, a turma é dividida em 4 grupos de 5 alunos onde a cada grupo é atribuída uma transformação gasosa para pesquisar.

Segunda etapa – Encontro de Especialistas

Os alunos agora se reorganizam de modo que um aluno de cada especialidade se reúne, formado um grupo heterogêneo onde cada um pesquisou um assunto diferente. Eles devem agora explicar o tema pesquisado aos demais do grupo e aprender o que os demais pesquisaram. No nosso exemplo, um aluno de cada quinteto foram um quarteto de modo que teremos 5 quartetos. Em cada quarteto temos um aluno que pesquisou e se aprofundou em cada uma das transformações gasosas. Cada aluno explica sua transformação aos demais e aprende sobre as outras 3 dos colegas.

Terceira etapa – Retorno aos Especialistas

Cada aluno agora retorna ao seu grupo original e compartilha com os colegas o que aprendeu sobre os demais assuntos no grupo anterior. No nosso exemplo, os alunos retornam ao quinteto original e discutem sobre as 3 transformações gasosas que aprenderam no grupo anterior e o que cada um compreendeu delas.

Aprendizagem cooperativa.

Independente do formato, essa metodologia trabalha muito a autonomia do aluno em pesquisar, aprender e ensinar, além da capacidade de colaboração e comunicação. Aplicando essa metodologia é muito interessante ver a mudança de postura dos alunos assim que são informados que eles terão de explicar aos colegas o que aprenderam.

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Neste momento fica claro aos alunos que, embora seja um trabalho colaborativo, não é viável tentar se escorar no esforço coletivo, sem fazer nada porque, em algum momento, estarão em uma situação em que precisarão partilhar seu conhecimento em um grupo onde são únicos. E isso imediatamente deixa o aluno com uma postura bem mais ativa e engajada.

Ao professor cabe o papel de determinar os objetivos da atividade, organizar a divisão dos grupos, explicar as etapas da atividade e garantir a efetividade do trabalho colaborativo.

No que tange a aprendizagem colaborativa, este trabalho publicado na revista “Química Nova na Escola” em 2010 ressalta as condições, que a maioria dos referenciais teóricos defendem que existam, para que o trabalho cooperativo seja funcional e produtivo:

  • Interdependência Positiva – Sentimento do trabalho conjunto para um objetivo comum, no qual cada um se preocupa com a aprendizagem dos colegas;
  • Responsabilidade Individual – responsabilidade pela própria aprendizagem e pela dos colegas e contribuição ativa para o grupo;
  • Interação Face a Face – Oportunidade de interagir com os colegas de modo a explicar, elaborar e relacionar conteúdos;
  • Habilidades interpessoais competências de comunicação, confiança, liderança, decisão e resolução de conflito;
  • Processamento grupal – Balanços regulares e sistemáticos do funcionamento do grupo e da progressão na aprendizagem.

E essa metodologia se insere no contexto de promover precisamente tais condições. E o mais interessante é que ela não demanda nenhuma infraestrutura diferenciada nem muito tempo de aula (já realizei atividade com 15 minutos por etapa), apenas uma mudança na dinâmica e uma escolha apropriada dos tópicos e tema de acordo com o tempo disponível e tamanho da turma.

Como sempre, espero ter contribuído e até semana que vem.

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