METODOLOGIAS ATIVAS #6: APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS

Olá Pessoal. Após uma breve pausa para o carnaval retornamos com a penúltima parte da nossa série sobre metodologias ativas. Hoje pretendo falar sobre “Aprendizagem Baseada em Projetos” e cuidado para não confundir com Aprendizagem Baseada em Problemas (famoso PBL). Sim, há diferença entre os dois e muito trabalhos que li não fazem essa distinção (e deveriam). Aliás, isso é um problema na hora de procurar bibliografia porque muitos autores (brasileiros e estrangeiros) misturam os dois métodos.

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Ao falar de Aprendizagem Baseada em Projetos, me refiro aqui ao que tem sido muito utilizado na inovadora Escola da Ponte, do professor José Pacheco. Só o modelo dessa escola e seu proponente já dão uma publicação (que farei futuramente porque estou apaixonado pelo modelo). Mas então vamos falar dessa metodologia.

O primeiro passo para falar sobre o método e diferenciá-lo do PBL é definir o que é um projeto. Um projeto é um empreendimento (pode ser colaborativo ou individual) que consiste em alcançar um objetivo em particular. Pode ser emagrecer, construir uma estante, montar um site/blog, elaborar uma campanha publicitária, viajar no fim do ano, enfim, tudo isso.

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Projetos tem alguns elementos comuns que os diferenciam de problemas:

– São temporários: Possuem um período bem definido seja pela proposta, seja pela meta.

– São planejados, estruturados e executados.

– Entregam produtos, serviços ou metas objetivas alcançadas.

– São desenvolvidos em etapas e evoluem em escala progressiva.

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A ideia então consiste em usar um projeto claro e bem definido para motivar os alunos a obter conhecimento e autonomia, no desenvolver do projeto. Em um projeto, os alunos são levados a desenvolver diferentes saberes colocados em um contexto real e aplicado, o que motiva ao mesmo tempo que conscientiza sobre a relevância de certos conceitos. Colocando no contexto das múltiplas inteligências de Gardner, projetos ajudam os alunos a se apresentarem com múltiplas habilidades, explorando o que dominam e exercitando o que precisam desenvolver.

Um exemplo bem interessante que já utilizei foi a construção de um Fliperama Arcade usando um computador velho e alguns materiais de marcenaria. Existem vários tutoriais ensinando como fazer um fliperama como este na internet (como este e este). Nesse projeto, além da motivação óbvia de construir um vídeo game, os envolvidos exercitam saberes dos mais diversos lidando com programação, solda de circuito, design, layout, corte e montagem com madeira.

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Mas nem todo projeto precisa ser uma construção de objeto físico. Os alunos podem se dedicar a construir um site informativo sobre algum problema (como a Febre Amarela) e estruturar pesquisa, diagramação, programação e linguagem a partir do público alvo. Note que as possibilidades de se colocar o conhecimento formal de sala de aula em um contexto social e tecnológico mais diretamente aplicado são inúmeras, e este é um grande fator motivacional.

Algumas escolas têm usado bem essa metodologia para elaborar projetos para a própria escola como, a construção de uma horta para a cantina, a estruturação de um Jornal escolar, a produção de conteúdo de divulgação (Hipertexto e/ou vídeos) para conscientização da comunidade em relação a algum problema e assim por diante.

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De todo modo, esse tipo de metodologia extrapola os limites da divisão formal do conhecimento, promovendo a interdisciplinaridade. Além disso, ela dialoga perfeitamente com as tendências atuais de ensino Maker, (envolvendo Fablabs e oficinas didáticas) e a cultura do “Faça Você Mesmo” (DIY – Do it Yourself) que tem ganhado muita popularidade. Aliás, ainda pretendo fazer uma publicação falando só sobre Ensino Maker e DIY.

Ao contrário de muitas outras metodologias ativas, esta técnica não tem um modelo formal estruturado já testado e desenvolvido, até porque cada projeto tem sua particularidade. O que se recomenda no planejamento é fazer uma estruturação do plano de trabalho, de acordo com o tempo e o cenário em que se deve aplicar a técnica e este artigo dá informações mais detalhadas neste quesito. Vale mencionar que, em projetos que envolvam trabalhos manuais, é importante educar os alunos em regras de segurança (principalmente quando envolve ferramentas mais pesadas) e correto manuseio de certos equipamentos.

Como sempre, espero que este texto, ainda que introdutório, contribua de alguma forma e até a próxima semana.

2 comentários em “METODOLOGIAS ATIVAS #6: APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS

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