METODOLOGIAS ATIVAS #2: ENSINO SOB MEDIDA

Olá Pessoal. Antes de dar início ao post de hoje que dá sequência à série sobre metodologias ativas, gostaria de dar um breve informe. Esta iniciativa “Educação Científica”, tem uma Página no Facebook e um Perfil no Twitter que publicam conteúdos complementares como textos, artigos acadêmicos, links de livros, vídeos, notícias e ferramentas quase que diariamente. Assim sendo, não se esqueçam de seguir o perfil no Twitter e curtirem a página no Face para receber todo este material complementar. Pronto, aviso dado, passemos ao tema do post. Esta semana eu escolhi falar de uma metodologia que, em alguns aspectos, se assemelha à Sala de Aula invertida, que é a “Just-in-Time Teaching” ou “Ensino sob Medida” como costuma ser traduzida.

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A técnica do Ensino sob Medida consiste em fornecer um material para estudo prévio, e colher um feedback do aluno acerca deste estudo para moldar a aula presencial. Funciona basicamente assim: O professor recomenda aos alunos uma série de materiais para consulta (podem ser capítulos do livro-texto, textos de apoio, vídeos e links diversos) acerca do tema a ser trabalhado na próxima aula. Junto deste material ele envia uma série de questões conceituais envolvendo o tema estudado. Essas questões são chamadas de “Warm up” (aquecimento). Os alunos devem responder essas questões e enviar as respostas ao professor antes da aula (preferencialmente, no mínimo, dois dias antes). Analisando as respostas o professor pode avaliar precisamente quais partes do conteúdo foram melhor compreendidas, onde se localizam as principais dúvidas e onde ele pode explorar melhor o conteúdo. Assim, com este feedbak, o professor elabora a aula focando nos pontos onde ele viu que os alunos demonstraram maior dificuldade podendo até fazer um breve debate com a turma para comentar as questões onde percebeu maior concentração de dúvidas.

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Parte daí o nome da técnica, já que os encontros com o professor nas aulas presenciais são usados para tratar apenas dos pontos onde os alunos não foram muito bem sucedidos em aprender sozinhos, ou seja, a aula é feita sob medida para aquele grupo de acordo com seu desempenho no Warm up.

Esta técnica já havia sido usada em diferentes contextos no passado, mas teve seu uso mais estruturado na década de 90 em cursos universitários da universidade de Indiana, e cursos militares da aeronáutica, principalmente para ensinar Física em níveis básicos. A estrutura do método foi formalizada no livro de Gregor Novak, de 1999 intitulado Just in Time Teaching: Blending Active Learning With Web Technology” (ou “Ensino sob Medida: Misturando Aprendizado ativo com Tecnologias Web” em tradução livre). Com o que aprendi sobre o método posso destacar alguns prós e contras:

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Prós:

– Maximiza a eficácia e o tempo de aula. Perfeita para cursos mais curtos ou conteúdos para os quais se disponibiliza de pouco tempo em sala.

– Estrutura bem o tempo fora e dentro de sala, ajudando o aluno no planejamento de sua rotina.

– Cria e fomenta trabalhos em grupo (muitos alunos se reúnem para discutir as questões fora do ambiente escolar ou na própria sala de aula).

– Desperta o hábito de estudo fora do ambiente escolar.

– Fomenta a postura autodidata e incentiva a autogestão.

Contras:

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O principal contra desta metodologia, como a maioria das metodologias ativas, é a demanda por tempo de planejamento de professores. Uma constante nas MA’s é que o trabalho do professor dentro de sala é diminuído em parte, ao ceder protagonismo, mas isso é compensado por um exponencial aumento no trabalho fora de sala, no planejamento. Neste método, os principais fatores que demanda maior tempo são:

– Elaboração de material auxiliar a ser disponibilizado para os alunos, principalmente em contextos onde não se garante o acesso à internet em casa.

– Elaboração das questões do “warm up”. E aqui se deve dedicar muito trabalho e muita atenção porque o coração do método reside em fazer um bom diagnóstico das necessidades da turma a partir do feedback das questões do warm up, então as mesmas tem de ser capaz de construir um diagnóstico preciso.

– Por fim, a elaboração de diferentes aulas para o mesmo assunto (para professores que tem mais de uma turma) caso os feedbacks das diversas turmas destoam muito entre si. E isso piora se o feedback for recebido muito próximo das datas das aulas.

Mesmo com toda essa demanda de tempo, muitos professores usam essa técnica com excelentes índices de sucesso, principalmente nos ensinos médio/técnico e superior. Uma curiosidade que achei interessante é que a mesma raramente é empregada isolada. Nos trabalhos que li (como este aqui) que usaram essa técnica aqui no Brasil, a mesma sempre era combinada a outras metodologias ativas como Instrução por Pares e/ou PBL (tema da próxima semana). Isso aumentava ainda mais o índice de sucesso dos trabalhos, mas também dificultou um pouco avaliar isoladamente a eficiência do Ensino sob Medida.

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De todo modo, baseado nos pontos que listei como prós, na estrutura da metodologia e nos trabalhos realizados com ela isoladamente, acredito que seja muito útil para temas que muitas vezes achamos interessantes e pertinentes, mas que não temos muito tempo para trabalhar em função do ambicioso currículo que muitos tempos que cumprir.

Espero que tenham gostado e até semana que vem.

 

4 comentários em “METODOLOGIAS ATIVAS #2: ENSINO SOB MEDIDA

  1. Muito bom o texto! Tenho muita vontade aplicar este método, agora que comecei a dar aula. A questão é que minhas turmas são de ensino médio integrado com técnico, ou seja, os alunos têm uma carga horária insanamente alta. Penso se é ou não prudente exigir-lhes que semanalmente, por exemplo, dediquem horas de leitura extraclasse e solução de testes, quando os alunos já estão esgotados por já terem ficado o dia inteiro na escola.

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