QUAL O PAPEL DO PROFESSOR?

Olá pessoal. Como havia prometido na última postagem, estou começando a série de posts sobre metodologias ativas. Porém, o blog vai dar uma breve pausa de duas semanas para as festividades de fim de ano, retornando dia 9 de Janeiro a nossa programação regular. E como eu não queria começar a série para pausá-la por duas semanas, preferi usar essa ultima postagem de 2017 para falar de outro assunto que complementa o que quero escrever sobre metodologias ativas.

Alguns professores que conheço desde o tempo da faculdade, me confidenciaram que tinham resistências com relação ao uso das metodologias ativas, porque tinham receio de que, ao tirar o protagonismo de si e preparar o aluno para autonomia no aprendizado, poderiam se tornar dispensáveis/descartáveis no processo. E este é um receio válido (o medo da obsolescência) e, por isso escolhi este tema para tratar hoje. Em minha opinião, essas metodologias não relegam o professor a obsolescência, pelo contrário, elas evidenciam sua função fundamental e sinalizam a importância do mesmo, permitindo a maior valorização do profissional. E para compreender melhor isso é preciso discutir qual é o papel do professor.

Professora-libertadora

Desde que existe a educação formal no modelo que conhecemos hoje, de tempos em tempos são feitas previsões acerca da revolução da educação e o canal Veritasium tem um vídeo espetacular sobre isso.

No vídeo ele argumenta que nenhuma previsão foi feita tantas vezes e foi tão equivocada como essa (sério, o vídeo é muito bom e está legendado em PT-BR. vai la assistir que eu espero. Viu? Interessante né? Continuemos). Com a invenção do radio, da TV, do computador, dos CDS e DVDS e por fim, da internet, sempre surgiam aqueles que previam que, com o advento da nova tecnologia o modelo de educação iria mudar, com alunos usando o recurso tecnológico da vez para aprender, sem a necessidade de um professor caro e intrometido. E ainda assim, a cada previsão, o que se via era que a forma como a maioria esmagadora da população aprendia (principalmente no nível básico) ainda era em grupos, em salas de aulas mediadas por um professor. Alguns argumentam que isso é por causa do engessamento do sistema que não se permite mudar. Mas eu acho que vai além disso, e creio que tem a ver com o verdadeiro papel do professor.

Educador-Mediador

Se você assume que a função do professor é transmitir o conteúdo da cabeça dele para a cabeça dos alunos, então sim, ele se tornou obsoleto no momento que inventaram livros, Google, Youtube e demais ferramentas de acesso à informação. Mas, do modo que eu vejo aprender é muito mais fácil e eficiente se feito em grupo com colaboração e troca. E neste cenário o papel do professor é o de guiar esse processo social de aprendizagem. Sim, o aprendizado é ativo e depende do que acontece na cabeça do aluno, mas o processo será bem mais eficiente se for colaborativo tendo um professor dedicado que motiva, inspira, contextualiza, media e guia esse processo usando toda sua experiência e treinamento (que demandaram sua dedicação pessoal e profissional) para facilitá-lo. E este papel é muito mais fundamental e valioso do que o de mero expositor de fatos e teorias.

Não me entendam mal, eu acho que vídeo-aulas e aplicativos expondo fórmulas, teorias e técnicas não são ruins, pelo contrário, podem ser excelentes ferramentas complementares no processo. Mas, a interação pessoal, a conexão e percepção instantânea das necessidades e evolução do aluno só podem ser feitas interpessoalmente, no dia a dia de uma sala de aula (ou através de uma videoconferência, rs).

Educação-transformadora

Revisito aqui a metáfora do GPS que mencionei no ultimo texto, para relembrar que embora metáforas sejam excelentes ferramentas de comparação didática, elas têm suas limitações. Sim, o professor deve agir como um GPS, oferecendo diferentes caminhos para ajudar ao aluno a chegar ao seu objetivo, mas ao contrário de um GPS que lida com um número finito de caminhos programáveis a partir de mapas estáticos pré-construídos (o que deixa a função totalmente automatizável), o professor lida com um ser humano, com nuances e subjetividades inerentes de cada indivíduo e uma infinidade de caminhos de aprendizado que podem se renovar a cada minuto. Portanto, se faz necessário uma percepção humana imediata para compreender o contexto do aluno e atuar de modo localizado para ajuda-lo. E isso está longe de ser automatizado por alguma inteligência artificial.

Por isso as metodologias ativas não relegam professores a obsolescência, elas evidenciam este papel social e humanizado do professor e os desafios que este papel representa uma vez que o planejamento cresce exponencialmente nesta nova proposta e, por anos, nosso modelo educacional compreende o professor como mero expositor, de modo que é difícil vencer essa inércia. Ainda mais considerando a resistência natural que alunos podem apresentar à este modelo, devido ao “Esforço desconfortável de pensar” que buscamos evitar, como mostra este vídeo excelente sobre o tema. E são esses desafios que evidenciam o real valor do educador e seu papel fundamental no processo de ensino/aprendizado.

Bom, era isso que queria dizer antes de começar a série. Espero que todos tenham um ótimo fim de ano e um começo de 2018 excitante e cheio de possibilidades. Ate 9 de Janeiro e Feliz Natal!

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